Augusto Brázio

SOPÉ, representa o primeiro capitulo do projeto Viagens na Minha Terra.
É um trabalho em progresso no qual o autor procura mapear uma geografia do desconhecido, do inesperado, do que está para além da representação normalizada com que Portugal nos é apresentado nos media.
São imagens que rompem as fronteiras do postal de promoção turística e que partilham com o espectador uma rude realidade. Imagens de um Portugal profundo, apenas alvo de notícia em momentos de catástrofe. Espaços vazios, sinónimo de uma desertificação que corrói o interior do país.
O autor atua como uma espécie de detetive visual, que segue as pistas de vivências inusitadas e cenários fantasmagóricos que, pouco a pouco, constroem uma trilha donde emerge uma verdade rude que não pode deixar o espetador indiferente.
A partir de rostos, paisagens e locais de abandono o autor reflete sobre a identidade de um Portugal profundo. São fotografias que corporizam as vicissitudes da interioridade, a desertificação e as consequências do abandono dos territórios. Imagens que concorrem para a construção de uma geografia mental do país.