São Trindade

“Let everything happen to you
Beauty and terror
Just keep going
No feeling is final”
R. M. Rilke

Já cosi a ferida, ensaiei o esquecimento e viajei até à lua com o meu gato, fui Lady Godiva, Eva, e muito mais.
Os temas do meu trabalho nascem das minhas vivências, de tudo o que vejo, sinto, amo e perco, razão pela qual a autorrepresentação é uma constante.
É um trabalho sobre sobrevivência, onde se cruzam vários interesses pessoais, literatura, desenho, pintura, cinema, música, fotografia.
O meio é a fotografia porque me interessa a sua ambiguidade, a sua ligação ilusória ao real. Mas antes de ser fotografia, há todo um processo: já fiz um fato de astronauta, construi um cavalo ou moldei uma orelha, depois há uma representação para a câmara e uma edição a partir desses  registos.
Gosto de ligar imagens como se construísse uma história, mas a ordem das imagens pode ser trocada e a história passar a ser outra.
A par da fotografia, surgem os cadernos onde desenho e intervenho com vários materiais e técnicas, aí, por vezes, existe o embrião daquilo que crescerá com um corpo fotográfico.

 “Friday Night, Saturday Morning” nasce de um quase diário realizado entre 2005 e 2006. Não resultou de um projeto pré concebido, mas de impulsos vitais, ora pontuais ora contínuos.
s.t.