Malú Cabellos

Malú Cabellos
REBELADOS (Rebeldes)
Há anos que a Amazónia constitui uma temática na arte contemporânea na América Latina e especialmente nos países da região que compartilham esse território. Alguns artistas estão a revisitar, a partir de uma perspectiva histórica, analisando os conflitos desencadeados pela corrida à borracha e as consequências sofridas pelas comunidades indígenas. Malú Cabellos começou a trabalhar em 2015 numa investigação sobre a capital da Amazónia peruana: Iquitos. No Centro Amazónico de Antropologia e Aplicação Prática - CAAAP, Malú descobriu uma coleção de fotografias que inspirou o seu projeto Rebelados. As imagens que ela selecionou para o projeto fazem parte do Álbum de fotografías Viaje de la Comisión Consular al Rio Putumayo y Afluentes. Foi realizado por Silvino Santos de agosto a outubro de 1912, fotógrafo e camaraman português residente em Manaus. O álbum foi encomendado por Julio Cesar Arana, acionista majoritário de uma das mais importantes empresas de borracha: A Casa Arana, cujos parceiros britânicos a registaram em Londres sob o nome The Peruvian Amazon Company. Através daquela encomenda procurava-se reverter a imagem deteriorada da empresa, que havia recebido queixas sérias contra ela. O tratamento que esta empresa tinha para com os nativos incluía práticas esclavagistas, castigos e torturas, chegando a matar os indígenas que fugiam ou se negavam a trabalhar. Estima-se que entre 1903 e 1910 a Casa Arana teria sido a causa do extermínio de 30.000 índios.