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© Antonio Guerra, UMBRAL MINERAL
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UMBRAL MINERAL



Instituto Cervantes de Lisboa

R. de Santa Marta 43F R/C, 1169-119 Lisboa


Inauguração → 24 . 09 . 2026 → 18h30


24 . 09 . 2026 → 06 . 11 . 2026


2ª feira - 5ª feira → 09h00 – 19h00
6ª feira → 09h00 – 15h00

Artista

Antonio Guerra

O modelo extrativo atravessa hoje um processo de reconfiguração marcado pela descarbonização, pela busca de novos minerais e pela transição para energias renováveis. Neste contexto, Umbral Mineral desloca a paisagem para um território instável onde convergem extração, imagem e matéria, traçando uma analogia entre as transformações antropogénicas nos ambientes mineiros de Fabero e Riotinto, em Espanha, e de Covas do Barroso, em Portugal, e os próprios processos de produção das imagens, concebidas como superfícies atravessadas por múltiplas temporalidades e tensões.

Estes territórios surgem como espaços de fricção, onde a marca extrativa persiste sob a forma de resíduos, ruínas e materialidades pós-naturais. Guerra recolhe e reativa estes vestígios — provenientes de escombreiras e depósitos de resíduos — para os integrar em dispositivos foto escultóricos que transbordam os seus próprios limites, questionando a própria noção de representação.

A partir daí, a paisagem mineira deixa de ser um fundo para se tornar um agente ativo, operando através de uma visualidade que dissolve as fronteiras entre o natural e o artificial, o documental e o construído. O projeto desestabiliza assim as formas herdadas de olhar, situando-se num espaço onde o geológico, o histórico e o social se entrelaçam. Nestes territórios emerge a possibilidade de regeneração como gesto crítico: não apenas reabilitar, mas reler e reimaginar.

Na sua condição instável, Umbral Mineral configura-se como uma escrita do resto, onde a ruína não assinala um fim, mas a abertura de novas formas de perceção. A partir daí, as imagens obrigam a ver para além da sua superfície, ativando um olhar capaz de sustentar a complexidade de um mundo em transformação.


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