Alumbre na Macaia
Mitra - Pólo de Inovação Social / Pavilhão I
Beco da Mitra, 1950-051 Lisboa
10 . 10 . 2026 → 15 . 11 . 2026
5ª feira - domingo → 14h30 – 18h30
Artista
Ian Cheibub
Violonista de sete cordas e ogan em uma casa de Umbanda liderada há cinco gerações por sua avó, Ian Cheibub é um artista visual nascido em Niterói, que trabalha entre o Brasil e a França.Seu trabalho questiona as condições de visibilidade, controle e objetividade herdadas da modernidade colonial, colocando em tensão a produção artística com as relações entre humanos e não humanos, em uma lógica de escuta e contraponto. Por meio da imagem, escultura, vídeo, som e instalação, Ian desenvolve processos colaborativos que deslocam a autoridade do autor e colocam em questão as lógicas de produção da imagem.
Alumbre na Macaia é o projeto de pesquisa em que incorporo, à minha prática artística, os ensinamentos que herdei da minha avó, do meu pai e dos meus ancestrais dentro do terreiro de Umbanda. Utilizo a tecnologia ancestral do banho de ervas nos próprios negativos que fotografo no terreiro, literalmente banhando-os antes de revelá-los.
Alumbrar é, ao mesmo tempo, iluminar-se e encantar-se. Macaia é um lugar sagrado, além de também designar o conjunto de folhas sagradas utilizadas na Umbanda e no Candomblé. Alumbre na Macaia é, portanto, macumbalizar a fotografia e fotografalizar a macumba.
Há um jogo dialético que intersecciona a poética e a estética macumbeira. Por um lado, trago, através do banho de ervas, uma visualidade impactada e intencionada pelos acasos, acidentes, rasgos e desvios — assim como na construção religiosa das encantarias brasileiras. Por outro, há o ato de literalmente banhar, nas ervas sagradas, meus irmãos de axé, que estão presentes nos negativos em forma de luz.
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